Ballet, dança de salão, contemporânea, hip hop e ritmos são algumas das modalidades ofertadas gratuitamente nas UsiPaz.

A dança traz liberdade, autoconhecimento, bem-estar e representa uma das artes priorizadas em projetos sociais do Governo do Estado. As três Usinas da Paz já em funcionamento no Pará – Icuí-Guajará, em Ananindeua; Cabanagem, em Belém; e Nova União, em Marituba  – contam com um espaço específico para a realização de aulas de dança e ginástica. Celebrado nesta sexta-feira (29), o Dia Internacional da Dança reforça a importância da atividade também para a saúde, a socialização e a cultura.

Rafaely Barbosa, 12 anos, tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) e é uma das alunas da turma de hip hop na UsiPaz Icuí-Guajará. A dança contribui para o desenvolvimento de habilidades como a tolerância e a socialização. “Eu vi uma aula, me interessei e pedi para a minha mãe me matricular. Gosto muito de participar das aulas, principalmente quando o professor canta contando uma história baseada em fatos reais. Já aprendi muitas coisas por causa da dança”, conta. 

Foto: Divulgação

A mãe da Rafaely, Andrea Santos, 39 anos, afirma que incentiva a participação da criança nas aulas, porque consegue ver no dia a dia os benefícios que a dança já trouxe para a sua filha. “Desde que começou, ela mudou muito, é uma criança mais paciente, fez, inclusive, amizades e antes não interagia com ninguém. É uma excelente iniciativa do Governo em oferecer atividades como essa para os jovens, que, ao invés de estarem nas ruas aprendendo o que não devem, eles podem fazer o que realmente gostam e aprender coisas novas”, ressalta.

Letícia Matos é professora de ballet clássico, dança contemporânea e ritmos na UsiPaz Nova União. Por ser nascida e criada em Marituba, a oportunidade de atuar com o que ama na comunidade onde cresceu se torna ainda mais especial. “Tem sido muito prazeroso pra mim. Compartilhar o meu conhecimento com crianças, adolescentes e adultos do meu município é muito especial e recompensador. Atuo há 10 anos na área e comecei estudando dança em projetos sociais, por isso, me vejo nos meus alunos. Ter acesso a cultura e a arte é essencial para o desenvolvimento de todos”, pontua. 

“A dança é uma forma de expressão com o corpo, onde as pessoas podem liberar a energia e sentir um prazer imenso. Parece que você consegue esquecer os problemas naquele momento e só fica a alegria pelas interações durante as aulas”, explica Jackson Soares, que atua no TerPaz Esporte, desenvolvido pela Secretaria Estratégica de Articulação e Cidadania (Seac), e coordena os professores de esportes e dança da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) na UsiPaz Nova União. Ele conta que a aula de ritmos é a que teve maior procura pelos moradores do entorno. 

Entre as habilidades desenvolvidas por meio da dança, segundo o professor de dança da UsiPaz Icuí-Guajará, Leo Barbosa, estão: o conhecimento da dança não só no campo do movimento, mas também da prática como uma arte, o conhecimento maior do corpo, desenvolvimento da postura, exercício corporal, refinamento da concentração, do equilíbrio, do comportamento, das interações, entre outras. 

Foto: Divulgação

“Antes, só tinha acesso ao ballet, por exemplo, quem fazia parte da elite. Queremos reforçar que a prática seja acessível a todos. É um direito das crianças e proporciona experiências que podem mudar o futuro desses jovens, mostra novos caminhos”, destaca o professor que atua na área desde a sua formação em 2018 e é bailarino desde 2003.

Aulas de dança

As aulas são ofertadas regularmente nas três Usinas em funcionamento, em parceria com outros órgãos, como SEEL, Secult, FCP ou mesmo comunidade. No momento, são realizadas as seguintes aulas:

Icuí-Guajará: Ballet, dança de salão, hip hop, ritmos

Cabanagem: Ballet, dança de salão, ritmos, dança contemporânea

Nova União: Ballet, ritmos, dança contemporânea

Foto: Divulgação

Por Giovanna Abreu (SECOM) 


Ações de cidadania, segurança, cultura e capacitação profissional, entre vários serviços, são aguardados pelos moradores do bairro União.

Esperança. A palavra, que representa a crença em um futuro promissor, define a expectativa dos moradores que aguardam a hora de a Usina da Paz Nova União ser entregue. O momento tão aguardado está muito próximo: sábado, 19 de março, em Marituba, município da Região Metropolitana de Belém. “Só pelo fato de nós sermos privilegiados, com Marituba ganhando um espaço para ajudar nossos jovens, para ajudar as famílias, para nós já é muito gratificante”, afirma a pedagoga Elivalda Alves.

A moradora integra a Associação Comunitária do bairro, onde mora há cerca de 20 anos, e já consegue visualizar o progresso e a facilidade de acessar serviços que, atualmente, não estão ao alcance de todos. “Com a chegada da Usina, a tendência é progredir e não regredir, por isso a expectativa é que melhore cada dia mais tanto as vidas familiares, quanto financeira e social. Na verdade, o progresso começou um tempo atrás, pelo fato de as ruas melhorarem e, com esse espaço maravilhoso, nosso custo será ainda menor, porque quando a gente queria algo como documento ou cursos era muito distante das nossas vistas. Agora, nós vamos ter este privilégio aqui perto de nós, na Usina”, constata  pedagoga.

“Espero ter algo pra mim, aqui. Sabemos que hoje o mercado de trabalho busca pessoas com profissões, formadas, capacitadas, e quem sabe aqui não será uma oportunidade de começar uma nova etapa da minha vida, um novo trabalho, um recurso a mais pra minha casa, pra minha família e pra todos que venham se beneficiar com o que será oferecido. Tenho uma filha de 14 anos, e espero que ela também possa fazer parte desse movimento”, é o que almeja Diana Ferreira, 47 anos, que por motivos financeiros e pessoais precisou interromper a faculdade de pedagogia, e agora deposita no complexo uma nova perspectiva de vida.

Ela e alguns familiares foram os primeiros moradores do bairro Nova União, onde a UsiPaz está instalada. Com base em toda essa vivência no local, ela conta que antes das ações do Programa Territórios Pela Paz (TerPaz), o cenário era bem diferente. “Esse bairro estava morto, esquecido, tanto é que muitos moradores abandonaram suas casas pela questão da violência que tinha antes. Hoje, graças a Deus, isso melhorou bastante. Estou gostando muito dessa oportunidade que a Usina já está trazendo para o nosso bairro, pros nossos jovens, porque sabemos que aqui tem muitas famílias carentes precisando de ajuda, principalmente na área da criminalidade. Já perdemos muitos jovens no nosso bairro, e hoje eu fico feliz em ver ser implantado um órgão que pode ajudar muitas famílias a trazer esses filhos e filhas pra cá, pra socializar com a comunidade”, narra a moradora. Para quem perdeu um dos filhos para o crime, como Diana, a Usina representa mais que um aparelho público.

Serviços - O Projeto Usina da Paz integra o Programa TerPaz, desenvolvido pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Articulação e Cidadania (Seac), em parceria com o setor privado, para atender necessidades mais urgentes da população. Em pleno funcionamento a partir da próxima semana, a Usina oferece mais de 80 serviços, que vão desde atendimento odontológico até aulas de teatro e ensino profissionalizante.

A estrutura oferece espaços esportivos, atendimento jurídico, inclusão digital, dança, robótica e salas audiovisuais, destaca o titular da Seac, Ricardo Balestreri. “O equipamento está preparado para receber e atender a população de Marituba. Estamos muito felizes com mais esta entrega, que será realizada pelo governo do Estado. As Usinas da Paz são parte de um projeto audacioso e grandioso, que já está beneficiando e transformando vidas na Cabanagem, em Belém, e no Icuí-Guajará, em Ananindeua. Agora, chegamos com a oferta desses serviços intersetoriais permanentes do Estado em Marituba, e convidamos a comunidade para que abrace e cuide desse complexo comunitário”, ressalta o secretário.

Legado - Para quem vive a transformação para uma cultura de paz desde o início, como Roberto Reis, que integra a rede local na Usina, a espera pela UsiPaz se assemelha à “chegada de um filho”. “Eu não tenho nem palavras para dizer como me sinto. Estou muito feliz por fazer parte desse projeto, por trabalhar em prol da minha comunidade e deixar esse legado para a população daqui”, diz Roberto Reis, que era uma liderança comunitária na área, e quando o TerPaz chegou a Marituba foi selecionado para ser um dos representantes dos moradores no âmbito do Programa. Hoje, dentro da Usina, ele faz a articulação dos projetos sociais do Estado na comunidade.

Roberto Reis, que mora há 35 anos no bairro, destaca o que já mudou desde 2019 na área com a implementação do TerPaz. “Na verdade, o projeto já vem trazendo muitas melhorias para o bairro União, e para Marituba como um todo, trazendo assistência de saúde, assistência técnica, asfaltamento, saneamento básico, emissão de documentos. Melhorou demais o nosso bairro através do projeto. Melhorou também a qualidade de vida dos moradores, trazendo mais segurança pública para nós. Agora, com a Usina, a tendência é melhorar muito mais”, acrescenta.

Socorro Bandeira também vem testemunhando a transformação social que Marituba vivencia nos últimos três anos. Diretora da Escola Dom Calábria, referência de ações do TerPaz no município, ela conta que não imaginava a grandiosidade da Usina. “Quando vimos as do Icuí e Cabanagem bateu uma ansiedade para chegar logo nossa vez. No papel não dava pra ver o tamanho que seria tudo isso. Certamente, será um espaço onde nossa missão com mais de 1.500 alunos só vai aumentar. Agora, existe um espaço específico e adequado para cada uma das ações”, diz Socorro Bandeira, afirmando que “a expectativa é de que possamos colher muito mais frutos, e que a gente possa continuar acompanhando nossos alunos”.

Por Governo do Pará (SECOM)


A capacitação, realizada pela Sedeme em parceria com a Unama, visa proporcionar conhecimento para abertura de novos negócios

Por Raiana Coelho (SEDEME)

O cronograma de ações no âmbito do Programa Territórios pela Paz (TerPaz), realizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), em parceria com a Universidade da Amazônia (Unama), prosseguiu na tarde desta quarta-feira (18) com a segunda oficina sobre boas práticas de manipulação de alimentos. O público foi formado por moradores dos bairros da Cabanagem e Benguí, em Belém.

Erinaldo Ramos, coordenador de Projetos da Sedeme, ressaltou que a oficina era uma necessidade da população, identificada pelos parceiros que fazem parte do eixo empreendedor do TerPaz, como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o Sistema OCB (do segmento cooperativista), para que por meio da profissionalização fosse incentivada a abertura de novos negócios. “A gente pensou nesse curso de boas práticas pois já certifica, de alguma forma, as pessoas para iniciarem seus negócios. E a gente pensou nessa parceria com a Unama justamente por já possuir o curso de nível superior de Gastronomia, onde ela está dando essa formação básica para as pessoas aqui, hoje”, informou Erinaldo Ramos, acrescentando que outras oficinas já estão no planejamento da Secretaria, como a de manuseio do açaí.

Cabanagem e Benguí compõem o grupo de sete bairros atendidos pelo TerPaz na Região Metropolitana de Belém. O Programa, criado e implementado pelo Governo do Pará, é administrado pela Secretaria Estratégica de Articulação da Cidadania (Seac) com o apoio de uma câmara técnica intersetorial que envolve outros 37 órgãos.

Resultados - Entre os objetivos destacam-se a diminuição da criminalidade em áreas vulneráveis e a inclusão social dos moradores. O TerPaz, em pouco mais de um ano, alcançou cerca de 60 mil atendimentos nas mais de 350 ações de políticas públicas realizadas nos territórios da Cabanagem e Benguí, além de reduzir os índices de violência em 13% e 85%, respectivamente.

“Muitos nunca tiveram a oportunidade de entrar em uma universidade, e estão podendo agora entrar num espaço da Unama para participar desse curso, ter uma capacitação que vai trazer um certificado. Isso, para eles, é como se reacendesse uma chama que estava apagada. A maioria é de pessoas com mais de 50 anos, sem o ensino fundamental completo. Então, para eles é tudo muito novo, e para a gente é gratificante poder contribuir com isso, não só para a garantia do direito de cidadania, mas também para devolver essa motivação”, ressaltou Marisa Lima, gestora do TerPaz na Cabanagem.

Já considerado uma ferramenta de transformação social, o Programa Territórios Pela Paz tem mudado, entre os moradores das áreas beneficiadas, a visão e a relação com o próprio bairro. Um exemplo dessa mudança é Socorro Meireles, 54 anos, dos quais 32 morando na Cabanagem. Já com os óculos que recebeu em uma das ações de saúde oferecidas pelo Programa, ela manifestou a satisfação de ser vista pelo Poder Público. “Agora a Cabanagem está sendo descoberta, estamos sendo acolhidos pela saúde, pelos projetos sociais, pela cultura. Agora a gente está fazendo parte do meio, fazendo parte como pessoas de direito. Isso mudou meu comportamento como pessoa, a minha forma de pensar e agir. Eu sinto que meu bairro agora foi adotado pelo governo, e eu vejo que ele tem jeito. Agora eu olho meu bairro diferente, como um lugar grande, de pessoas muito boas. Só o que faltava para nós era alguém que nos olhasse como pessoas”, enfatizou a moradora.